sábado, 8 de setembro de 2012

Teu Rosto Revela!



Vocês refletem a Sua luz. Seu exemplo terá uma vigorosa influência para o bem nesta Terra.
Elaine S. DaltonNunca houve melhor época para viver na Terra do que esta. Estes são “dias inolvidáveis”.1 Esta é a época de vocês, e é uma época maravilhosa. Vocês são maravilhosas! Ao olhar para vocês e ver seus rostos radiantes, fico maravilhada por vocês serem tão boas, fortes e puras num mundo tão desafiador. Lembro-me de um poema que meu avô costumava recitar quando eu tinha a idade de vocês. Era assim:
Não é preciso me dizeres como vives a cada dia;
Não é preciso me dizeres se trabalhas ou brincas;
Pois há um barômetro fiel e comprovado que me diz essas coisas —
Não é preciso me dizer, porque teu rosto revela.
Se vives próxima de Deus e de Sua infinita graça —
Não é preciso me dizer, porque teu rosto revela.2
Nunca me esqueci desse simples poema e sempre procurei viver de modo que meu rosto revele isso. Vejo que vocês também estão fazendo dessa maneira. Há uma luz que irradia do rosto de vocês porque vocês fizeram e cumpriram convênios com nosso Pai Celestial e Seu Filho Jesus Cristo e fizeram escolhas que as qualificam para a companhia do Espírito Santo. Expresso minha admiração por todas vocês.
O Presidente Gordon B. Hinckley disse a respeito de vocês: [Vocês são] “a melhor e [mais forte] geração de jovens da história desta Igreja”.3 Creio que vocês foram preparadas e reservadas para estar na Terra, nesta época, quando os desafios e oportunidades são maiores. Creio que o Senhor conta com vocês para serem líderes em retidão e servirem de testemunha “em todos os momentos e em todas as coisas e em todos os lugares”.4 Realmente podemos dizer que vocês são a “radiante esperança do futuro”.5
Creio que vocês estão incluídas entre aqueles a que o Apóstolo Pedro se referia ao dizer: “Vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”.6
Essa luz é a luz do Salvador. É a luz do evangelho restaurado de Jesus Cristo. Pelo modo como vocês vivem o evangelho, vocês refletem a Sua luz. Seu exemplo terá uma vigorosa influência para o bem nesta Terra. “Erguei-vos e brilhai, para que vossa luz seja um estandarte para as nações”7 é um chamado para cada uma de vocês. É um chamado para subirem para um nível mais elevado. É um chamado para que liderem o mundo na decência, pureza, recato e santidade. É um chamado para que compartilhem essa luz com outras pessoas. É hora de “erguerem-se e brilharem”.
Será que uma jovem digna pode mudar o mundo? A resposta é um retumbante “Sim!” Vocês têm o Espírito Santo como seu guia, e Ele lhes “mostrará todas as coisas que [devem] fazer”.8 São as coisas diárias e constantes que vocês fazem que vão fortalecê-las para serem uma líder e um exemplo: a oração diária, o estudo diário das escrituras, a obediência diária, o serviço diário ao próximo. Ao fazerem essas coisas, vocês se aproximarão mais do Salvador e se tornarão cada vez mais semelhantes a Ele. Tal como Moisés e Abinádi e outros líderes fiéis9, seu rosto brilhará com a chama de sua fé. “Haveis recebido sua imagem em vosso semblante?”10 “Erguei-vos e brilhai.”
Em 1856, aos 13 anos de idade, Mary filiou-se à Igreja com sua família, na Inglaterra, viajou para os Estados Unidos e uniu-se à companhia Martin de carrinhos de mão. Em sua biografia ela relatou as dificuldades da jornada: a perda de seu irmão bebê e de seu irmão mais velho, o congelamento de seus pés e, por fim, a morte de uma irmãzinha recém-nascida e de sua mãe. Quando ela chegou ao Vale do Lago Salgado, o médico amputou-lhe os dedos dos pés, mas foi-lhe prometido pelo profeta Brigham Young que ela não precisaria amputar mais nenhuma parte de seu pé. Ela contou: “Um dia eu me sentei, chorando. Meus pés doíam muito, quando uma senhora idosa bateu na porta. Ela disse que tinha sentido que alguém precisaria dela por alguns dias. (...) Mostrei-lhe meus pés. (...) Ela disse: ‘Com a ajuda do Senhor nós ainda salvaremos os seus pés’. Ela fez um cataplasma e aplicou nos meus pés, e todos os dias depois que o médico ia embora, ela vinha e trocava o cataplasma. Ao fim de três meses, meus pés estavam curados”.11
Mas Mary teve que ficar sentada por tanto tempo que os tendões de suas pernas ficaram rígidos e ela não conseguia esticá-las. Quando o pai viu a situação em que ela se encontrava, ele chorou. Ele massageou as pernas dela com óleo e tentou endireitá-las, mas de nada adiantou. Certo dia, ele disse: “Mary, pensei num plano para ajudá-la. Pregarei uma prateleira na parede e quando eu estiver fora de casa trabalhando, você vai tentar alcançá-la”. Ela disse que tentou durante o dia inteiro, por vários dias, até que finalmente conseguiu alcançar a prateleira. Então, o pai colocou a prateleira um pouco mais alto. Isso prosseguiu por mais três meses, e graças à diligência diária dela, suas pernas se endireitaram e ela aprendeu a andar de novo. 12
Creio que vocês estão aprendendo, tal como Mary Goble, a atingirem as prateleiras que seus líderes vão erguendo só um pouquinho de cada vez, e se forem subindo à medida que esses ideais forem sendo elevados, poderão caminhar para o futuro com confiança.
O rosto das moças da África Ocidental brilha com a luz radiante do Espírito Santo. Elas vivem os padrões de Para o Vigor da Juventude, são guiadas pelo Espírito e estão-se preparando para serem líderes. Elas amam o Senhor e são gratas por Sua luz na vida delas. Algumas daquelas jovens caminharam três horas para compartilhar seu testemunho comigo. Graças a elas, eu jamais serei a mesma.
Quando eu estava na América do Sul, as moças e suas líderes cantaram: “Eu Quero Ser como Cristo”.13 Elas não apenas cantaram, mas realmente queriam dizer isso. Na Ásia e na Índia, as moças são um exemplo de fé, recato no vestir e pureza. Seus olhos brilham e estão cheios de alegria. As moças da Inglaterra, Irlanda e País de Gales defendem a verdade e a retidão em suas escolas. Em um mundo cada vez mais tenebroso, elas estão fazendo algo digno. Algumas de vocês são o único membro da Igreja em sua família ou em sua escola. Vocês estão fazendo uma grande diferença. Estão liderando de modo vigoroso.
Há pouco tempo, fui passear com um grupo de jovens até o cume do Pico Ensign. Olhamos dali para a Cidade de Salt Lake e para o templo e falamos sobre o sacrifício que tantas pessoas fizeram pelo evangelho. Depois, cada um dos jovens desfraldou uma bandeira. Em suas bandeiras, eles haviam desenhado símbolos de sua mensagem para o mundo: o que eles queriam defender nestes últimos dias. Fiquei emocionada ao ouvir o testemunho e o comprometimento de cada um deles. Depois, cantamos “No Monte a Bandeira”14 e os jovens gritaram juntos: “Hurra para Israel!”15 Repito essa exclamação hoje. Hurra para vocês! Espero que nunca hesitem em fazerem “resplandecer a vossa luz (...) para que [as pessoas] vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus”.16 Espero que vocês também desfraldem bem alto as suas bandeiras. Sei que se vocês liderarem em retidão, esta escritura de Isaías será cumprida: “Eis que (...) o Senhor virá surgindo, e a sua glória se verá sobre ti”.17 Ela será visível e “os gentios caminharão à tua luz, e os reis ao resplendor que te nasceu”.18
Vejo o dia em que o mundo olhará para vocês e dirá: “Quem são vocês?” Quem são essas moças que irradiam essa luz? Por que vocês são tão felizes? Por que sabem o caminho a seguir num mundo tão confuso? E vocês se erguerão e dirão com convicção: “Somos filhas de nosso Pai Celestial que nos ama, e nós O amamos. Serviremos de testemunhas de Deus em todos os momentos e em todas as coisas e em todos os lugares”.19
Meu chamado para vocês é o mesmo de Morôni: “Desperta e levanta-te (...) ó filha de Sião”.20 Ele viu vocês. Viu estes dias. Estes são os seus dias! Cabe a vocês decidirem que vão “erguer-se e brilhar”. Creio que à medida que vocês despertarem e se levantarem, sua luz será um estandarte para as nações, mas também creio que seus padrões serão uma luz para as nações. Vocês foram escolhidas e separadas. Vocês se distinguiram na existência pré-mortal. Sua herança traz consigo um convênio e muitas promessas. Vocês herdaram os atributos espirituais dos fiéis, sim, de Abraão, Isaque e Jacó. Sua própria natureza reflete sua herança divina e seu destino. O fato de terem nascido meninas não foi por acaso. Suas características divinas serão magnificadas à medida que liderarem outras pessoas e se erguerem à altura de seu potencial divino. Aproximem-se do Salvador. Ele vive! Ele é a luz, a vida e a esperança do mundo. Ele vai liderá-las e dar-lhes coragem para compartilharem sua luz. Como meu avô me ensinou: “Se vives próxima de Deus e de Sua infinita graça, não é preciso me dizer, porque teu rosto revela”. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

And waiting - Dan Cahoon (PT)

Casamento Eterno!

Alguna dias atras, vasculhando algumas Aliahonas que tenho guardadas, encontrei uma na qual adoro ler os as mesangens que ela tras.
Como estou me preparando para entrar no templo do senhor no final do ano com meu noivo, encontrei nela um discurso muito bom sobre casamento no templo. Uma mensagem que merece ser compartilhada, pelos simples fato de transmitir realmente o significado de casamento no templo.

Casamento Eterno
ÉLDER F. BURTON HOWARD


Se você quer que alguma coisa dure para sempre, deve
tratá-la de modo diferente. (...) Ela torna-se especial
porque você a fez especial.

Há alguns anos, minha esposa e
eu fomos a uma recepção de
casamento ao ar livre. Mais
cedo naquele dia estivéramos no
templo, onde dois jovens que conhecíamos
haviam-se casado para o
tempo e toda eternidade. Eles estavam
muito apaixonados. As circunstâncias
em que haviam-se conhecido
foram quase milagrosas. Muitas lágrimas
de felicidade foram derramadas.
Ficamos na fila de cumprimentos ao
final de um dia perfeito. À nossa
frente estava um amigo bastante próximo
da família. Ao aproximar-se do
casal ele parou, e com uma linda e
límpida voz de tenor cantou para eles
as emocionantes palavras do livro de
Rute: “(...) aonde quer que tu fores
irei eu, e onde quer que pousares, ali
pousarei eu; o teu povo é o meu  povo, o teu Deus é o meu Deus;
Onde quer que morreres morrerei eu
(...)”. (Rute 1:16–17)
Fomos profundamente tocados e
ficamos tranqüilos quanto à perspectiva
de felicidade deles, em parte,
suponho, porque minha esposa e
eu temos essas mesmas palavras na
parede de nossa casa por muitos
anos.
Infelizmente, o significado dessas
lindas palavras está-se desvanecendo.
Um número muito grande de casamentos
hoje em dia termina em
divórcio. O egoísmo, o pecado e a
conveniência pessoal muitas vezes
prevalecem sobre os convênios e
compromissos.
O casamento eterno é um princípio
que foi estabelecido antes da fundação
do mundo e que foi instituído
nesta Terra antes que a morte nela
entrasse. Adão e Eva foram entregues
um ao outro por Deus no Jardim do
Éden antes da Queda. A escritura diz:
“No dia em que Deus criou o homem,
à semelhança de Deus o fez. Homem
e mulher os criou; e os abençoou
(...)”. (Gênesis 5:1–2) (grifo do autor)
Os profetas têm ensinado de
maneira invariável que o elemento
mais perfeito e culminante do grande
plano de Deus para abençoar Seus
filhos é o casamento eterno. O
Presidente Ezra Taft Benson declarou:
“A fidelidade ao convênio do casamento
traz a mais plena alegria nesta
vida, e recompensas gloriosas na vida
futura”. (The Teachings of Ezra Taft
Benson [1988], pp. 533-534). O
Presidente Howard W. Hunter descreveu
o casamento celestial como “a
suprema ordenança do evangelho”, e
esclareceu que apesar de poder levar
“muito mais tempo [para alguns], talvez
até além desta vida mortal”, ele
não será negado a nenhum indivíduo
digno. (Teachings of Howard W.
Hunter, ed. Clyde J. Williams [1997],
pp. 132, 140) O Presidente Gordon B.
Hinckley chamou o casamento eterno
de “uma coisa maravilhosa” (ver “O
Que Deus Ajuntou”, A Liahona, julho
de 1991, p. 80) e uma “dádiva mais
preciosa que todas as outras”. (“O
Casamento que Perdura”, A Liahona,
novembro de 1974, p. 49)
Entretanto, não obstante a grandiosidade
e glória dessa dádiva, ela
não é gratuita. Na realidade, é condicional,
e quando outorgada, pode ser
removida se não observarmos as condições
do convênio que a acompanha.
A seção 131 de Doutrina e
Convênios diz-nos que:
“Na glória celestial há três céus ou
graus; E para obter o mais elevado, um
homem (e é claro que isto significa
uma mulher também) precisa entrar
nesta ordem do sacerdócio [que significa
o novo e eterno convênio do casamento]
(...).” (D&C 131:1–2)
Um convênio é uma promessa
sagrada. Prometemos fazer algumas
coisas e Deus compromete-Se a fazer
outras. Àqueles que guardam o convênio
do casamento Deus promete a
plenitude de Sua glória, vidas eternas,
descendência eterna, exaltação no
reino celestial e uma plenitude de alegria.
Todos nós sabemos disso, mas
algumas vezes não pensamos muito
sobre o que nós temos de fazer para
receber essas bênçãos. As escrituras
parecem dizer claramente que pelo
menos três obrigações são inerentes a
esse convênio.
Primeiro, um casamento eterno é
eterno. Eterno implica em crescimento
e melhora contínuos. Significa
que o relacionamento no casamento
que o homem e sua mulher tentarão
honestamente aperfeiçoar-se.
Significa que o relacionamento no
casamento não deve ser frivolamente
descartado ao primeiro sinal de discordância
ou quando os tempos ficam
difíceis. Significa que o amor ficará
mais forte com o tempo, e que se
estende para além da sepultura.
Significa que cada parceiro será abençoado
com a companhia do outro
parceiro para sempre, e que os problemas
e diferenças também poderão
ser resolvidos, porque eles não irão
separar-se. Eterno significa arrependimento,
perdão, longanimidade,
paciência, esperança, caridade, amor
e humildade. Todas essas coisas estão
envolvidas em tudo o que é eterno, e
com certeza precisamos aprendê-las e
praticá-las se pretendemos conseguir
um casamento eterno.
Segundo, um casamento eterno é
ordenado por Deus. Isso significa que
as partes envolvidas no convênio do
casamento concordam em convidar
a Deus para fazer parte de seu casamento,
em orarem juntas, em guardarem
os mandamentos e em manterem
os desejos e paixões dentro de certos
limites que foram delineados pelos
profetas. Significa serem companheiros
iguais, e serem tão autênticos e
puros fora de casa quanto o são
dentro do lar. Isso faz parte do que
significa ser ordenado por Deus.
Terceiro, o casamento eterno é um
tipo de sociedade com Deus. Ele promete
uma continuação das vidas
àqueles que são selados no templo.
Existe uma união com o Criador que
está implícita no mandamento dado a
Adão e Eva para que se multiplicassem
e enchessem a Terra. Existe uma
obrigação de ensinar aos filhos o
evangelho, pois eles são filhos Dele
também. É por isso que temos a noite
familiar e o estudo das escrituras, as
conversas sobre o evangelho e o serviço
ao próximo. Deveria ser uma
obrigação apoiar e suster um ao outro
nos chamados e papéis que cada um
deve desempenhar. Como podemos
dizer que somos um com Deus se não
podemos nos apoiar uns aos outros
quando a esposa é chamada a servir
na Primária ou o marido no bispado?
Assim, o convênio do casamento
implica no mínimo três coisas, e provavelmente
outras. Pode ser que eu
me engane, mas não muito, quando
digo que aqueles que abusam da
esposa ou do marido, verbal ou fisicamente,
ou aqueles que aviltam ou
rebaixam ou exercem domínio injusto
em um casamento, não estão guardando
o convênio. Tampouco o estão
fazendo os que negligenciam os mandamentos
ou falham em apoiar seus
líderes. Mesmo aqueles que apenas
recusam chamados, negligenciam os
vizinhos ou assumem um comportamento
moderadamente mundano
estão-se arriscando. Se não estivermos
guardando a nossa parte no convênio,
não temos promessa alguma.
Acima de tudo, penso que o casamento
eterno não pode ser alcançado
sem que haja empenho em fazê-lo
dar certo. A maior parte do que sei a
respeito deste assunto aprendi com
minha companheira. Somos casados
por quase 47 anos agora. Desde o
princípio ela sabia que tipo de casamento
queria.
Começamos como pobres estudantes
universitários, mas a visão dela
sobre o nosso casamento foi exemplificada
por um jogo de talheres de
prata. Como é comum acontecer
atualmente, quando nos casamos ela
inscreveu-se em uma loja de departamentos
local. Em vez de fazer uma
relação de todos os utensílios e panelas
e eletrodomésticos de que necessitávamos
e que esperávamos receber,
ela escolheu outro caminho. Pediu
utensílios de prata. Ela escolheu um
modelo e a quantidade, relacionando
facas, garfos e colheres na lista de presentes
de casamento, e nada mais.
Nenhuma toalha, torradeira ou televisor;
apenas facas, garfos e colheres.
A festa de casamento chegou e do
mesmo modo terminou. Nossos amigos
e os amigos de nossos pais
deram-nos presentes. Partimos para
uma breve lua-de-mel e decidimos
abrir os presentes quando voltássemos.
Quando o fizemos, ficamos chocados.
Não havia uma única faca ou
garfo entre os presentes. Fizemos
daquilo uma brincadeira e continuamos
com a vida.
Dois filhos nasceram enquanto
estávamos na faculdade de Direito.
Não tínhamos como guardar
dinheiro. Mas quando minha esposa
trabalhava como fiscal eleitoral em
período parcial ou quando alguém
dava a ela alguns dólares por ocasião
de seu aniversário, ela discretamente
separava o dinheiro, e quando tinha o
suficiente ia à cidade para comprar
um garfo ou uma colher. Demorou
vários anos até que acumulássemos
peças suficientes para podermos usálas.
Quando afinal tínhamos um serviço
para quatro pessoas, começamos
a convidar alguns de nossos amigos
para jantar.
Antes da chegada deles, conversávamos
um pouco na cozinha. Quais
talheres usaríamos, os surrados e
desemparelhados inoxidáveis ou o serviço
especial de prata? Naquela época
eu muitas vezes votava pelos inoxidáveis.
Era mais fácil. Bastava enfiá-los
na máquina de lavar louças e pronto.
Por outro lado, os talheres de prata
significavam bastante trabalho. Minha
esposa escondia-os embaixo da cama,
onde não seriam facilmente encontrados
por um gatuno. Ela insistiu para
que eu comprasse um tecido antioxidação
para embrulhá-los. Cada peça
ficava em uma bolsinha separada, e
não era uma tarefa fácil montar todas
as peças. Quando a prata era usada,
tinha que ser lavada e secada à mão
para que não manchasse, colocada de
volta nas bolsinhas para que não escurecesse,
embrulhada e cuidadosamente
escondida de novo para que
não fosse roubada. Se qualquer escurecimento
fosse detectado, ela pedia que
eu saísse para comprar limpa prata, e
juntos esfregávamos as manchas cuidadosamente
para eliminá-las.
Com o passar dos anos fomos
ampliando o conjunto, e eu observava
admirado como ela cuidava da prata.
Minha esposa jamais foi uma pessoa
que ficasse zangada com facilidade.
Contudo, lembro-me do dia em que
um de nossos filhos de alguma forma
pegou um dos garfos de prata e queria
usá-lo para escavar o quintal. Essa
tentativa foi respondida com um
olhar penetrante e furioso e uma
advertência para que nem mesmo
pensasse em fazer aquilo. Jamais!
Percebi que a prataria nunca esteve
presente nos muitos jantares preparados
por ela na ala, e nunca acompanhou
as muitas refeições que ela
aprontou e mandou a outras pessoas
que estavam doentes ou necessitadas.
Nunca foi usada em piqueniques e
nunca foi usada em acampamentos.
Na verdade, nunca foi a parte alguma;
e, com o passar do tempo, não foi
nem mesmo usada à mesa com muita
freqüência. Alguns de nossos amigos
foram pesados na balança e achados
em falta, e nem mesmo ficaram
sabendo. Foram servidos com os inoxidáveis
quando vieram para jantar.
Chegou a época em que fomos
chamados para servir em uma missão.
Cheguei em casa um dia e fui informado
de que tinha que alugar um
cofre num banco para a prataria. Ela
não queria levá-la conosco. Não queria
abandoná-la e não queria perdê-la.
Durante anos pensei que ela fosse
apenas um pouco excêntrica, e então
um dia percebi que ela sabia há muito
tempo algo que eu estava apenas
começando a compreender. Se você
quer que alguma coisa dure para
sempre, deve tratá-la de modo diferente.
Você a defende e a protege.
Você nunca abusa dela. Você não a
expõe aos elementos. Você não a
torna comum ou trivial. Caso ela
venha a ficar oxidada, você amorosamente
dá polimento a ela até que
resplandeça como nova. Ela torna-se
especial porque você a fez especial,
e a sua beleza e preciosidade aumentam
com o passar do tempo.
O casamento eterno é exatamente
assim. Precisamos tratá-lo exatamente
dessa forma. Oro para que possamos
enxergá-lo como a inestimável dádiva
que ele é, em nome de Jesus Cristo.
Amém. ■

ÉLDER F. BURTON HOWARD

Dos Setenta
Casamento Eterno